quarta-feira, 21 de setembro de 2022

IGREJAS FRÁGEIS E FAMINTAS


É muito comum que o cristão evangélico, principalmente o novo convertido, confunda amor com sentimento. Ninguém pode negar que um irmão afetuoso é algo bastante agradável dentro da igreja. Ele será sempre bem vindo em nossas rodas de conversa e será alvo do apreço de muitos irmãos. A pergunta que me faço acerca da conduta desse irmão é: será que ele vai cansar? Será que em algum momento, e por se tratar de um sentimento, a falta de reciprocidade, uma ofensa aqui e uma torcida de nariz ali esse irmão explodirá, ou pior, implodirá?

Um efeito colateral bastante perigoso desse amor sentimental dentro das igrejas é a hipocrisia. Quando fazemos algo para o Senhor, precisamos estar certos de duas coisas: Que estamos fazendo o melhor que podemos e que não há ninguém que possa fazer melhor que nós. É claro, Deus não tem nossa ficha de desempenho presa a uma prancheta dando notas às nossas obras. Até porque, se fazemos obras para “ganhar pontos com Deus”, essa expectativa de melhorar nosso handicap será o nosso único galardão e nada mais.

Escondidos sob uma falsa santidade, pastores e irmãos apresentam ao Senhor o “fogo estranho de Nadabe e Abiú” em forma de músicos sem talento, pregadores e mestres analfabetos, conselheiros com pouca intimidade com a Palavra e tantas outras coisas que deveriam subir aos céus como ofertas agradáveis ao Senhor, mas são como Deus diz em Isaías 1:13 - Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene.

E assim seguem as instituições religiosas com aparência de igreja: nivelando-se por baixo para dar voz e vez para quem poderia (e deveria) estar servindo com excelência em outra coisa. A seara é grande, os trabalhadores são poucos e ainda colocam os semeadores para capinar e os capinadores para semear. E para manter convencidos os irmãos mal aproveitados que servem naquilo que não têm talento, chamam de trigo excelente os pratos de joio servidos na igreja e no altar.

2 comentários:

  1. Oi, Euríclides!
    Difícil é amar como Deus ama, porque o ser humano é dotado de ego e daí vem o egoísmo. Amar a si mesmo, poderia ser substituído por amar a Deus como a si mesmo? Sendo que quem acredita em Deus carrega em si nosso criador. São muitos os questionamentos.
    “Vocês querem então saber de mim por qual motivo e em que medida nós devemos amar a Deus? Pois bem, eu vos direi que o motivo do nosso amor por Deus, é Ele mesmo, e que a medida deste amor é amar sem medida” (São Bernardo)
    Cresci ouvindo de minha mãe "Faça o bem sem olhar a quem". Não sei se essa frase é de alguém, mas ela vivia repetindo. Então penso que quando ajudamos, não precisamos propagandear. Afinal, o egocentrismo é contrário a tudo aquilo que Jesus nos ensinou.
    “Não negligencieis a prática do bem e a mútua cooperação” Hebreus 13.16

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    1. Pois é, Luma. Se as pessoas se ativessem a fazer ao menos o básico, já estaria melhor do que temos visto em alguns templos.
      O fazer o bem sem olhar a quem talvez seja uma referência à parábola do bom samaritano. Uma resposta de Jesus a um mestre da lei acerca de quem é o meu próximo.

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