“O sacrifício que agrada a Deus é um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.”
— Salmo 51:17
Vivemos dias em que o brilho do palco parece mais atraente do que a luz das Escrituras. Em vez de púlpitos, temos palcos. Em vez de pregadores, performers. E, infelizmente, em vez de transformação pelo evangelho, vemos uma geração cativada pela estética da fé, mas não pela essência dela.
Recentemente, deparei-me com uma iniciativa chamada "Legendários" — um projeto que se apresenta como um movimento masculino cristão, mas cuja abordagem e conteúdo levantam sérias preocupações. Não me refiro aqui ao zelo de quem busca alcançar homens para Cristo, o que é louvável. Minha crítica se dirige à superficialidade e à distorção da mensagem bíblica em nome de um espetáculo que tenta vestir-se de espiritualidade.
Onde está o quebrantamento?
A Bíblia é clara: o que Deus busca é um espírito quebrantado, um coração rendido, consciente de sua miséria e carência da graça. Mas o que vemos nesses movimentos performáticos é o oposto: ostentação de força, estéticas inspiradas em filmes de ação e discursos recheados de frases de efeito, mas pobres em conteúdo bíblico.
No título do curtíssimo parágrafo que nada explica o que são, diz: "O QUE É OS LEGENDÁRIOS?" Um erro gramatical pequeno, sim, mas revelador. A falta de cuidado com a forma reflete, muitas vezes, a falta de profundidade no conteúdo. Trata-se mais de causar impacto visual e emocional do que de ensinar a verdade da cruz.
No parágrafo que fracassa em explicar "O QUE É OS LEGENDÁRIOS?", há outro erro de concordância trecho que diz: "Devolvemos o herói a cada família...". Não seria "Devolvemos um herói a cada família..."?
Teatralidade não é arrependimento
Não é com frases motivacionais, camisetas pretas e semblantes carregados de raiva que se edifica o caráter de Cristo em alguém. O evangelho nos chama à humildade, não à encenação da masculinidade. Ser homem segundo Deus não é rugir no palco, mas calar-se em oração, reconhecer o pecado e andar em justiça, fé e amor.
Infelizmente, o que se promove é um evangelho emocionalmente inflamado, mas teologicamente anêmico.
A idolatria do estilo
Não podemos confundir evangelismo com entretenimento. Quando a estética se torna mais importante que a doutrina, corremos o risco de formar fãs — não discípulos. Criamos eventos que empolgam, mas não edificam. Chamamos multidões, mas não promovemos arrependimento. A pergunta que fica é: a quem estamos atraindo e com o quê?
O chamado à sobriedade
Não escrevo estas palavras por amargura, mas por zelo. Zelo pela verdade. Zelo pelos jovens homens que precisam de direção verdadeira — não de caricaturas. Precisamos de ministérios que voltem ao evangelho simples e profundo de Cristo, que ensinem o arrependimento, a graça, a santificação, o serviço, o temor do Senhor.
O mundo já está cheio de espetáculos. O que ele precisa é de cristãos autênticos.
“Pois virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos.”
— 2 Timóteo 4:3
Se você também percebe esse desvio da centralidade de Cristo, convido-o a refletir, orar e, acima de tudo, voltar à Escritura. Que nossas igrejas voltem a ser lugares de quebrantamento, não de performance. Que nossos púlpitos voltem a ecoar a cruz, não slogans.
Leia a Bíblia.

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