É muito comum que o cristão evangélico, principalmente o novo convertido, confunda amor com sentimento. Ninguém pode negar que um irmão afetuoso é algo bastante agradável dentro da igreja. Ele será sempre bem vindo em nossas rodas de conversa e será alvo do apreço de muitos irmãos. A pergunta que me faço acerca da conduta desse irmão é: será que ele vai cansar? Será que em algum momento, e por se tratar de um sentimento, a falta de reciprocidade, uma ofensa aqui e uma torcida de nariz ali esse irmão explodirá, ou pior, implodirá?
Um efeito colateral bastante perigoso desse amor sentimental dentro das igrejas é a hipocrisia. Quando fazemos algo para o Senhor, precisamos estar certos de duas coisas: Que estamos fazendo o melhor que podemos e que não há ninguém que possa fazer melhor que nós. É claro, Deus não tem nossa ficha de desempenho presa a uma prancheta dando notas às nossas obras. Até porque, se fazemos obras para “ganhar pontos com Deus”, essa expectativa de melhorar nosso handicap será o nosso único galardão e nada mais.
Escondidos sob uma falsa santidade, pastores e irmãos apresentam ao Senhor o “fogo estranho de Nadabe e Abiú” em forma de músicos sem talento, pregadores e mestres analfabetos, conselheiros com pouca intimidade com a Palavra e tantas outras coisas que deveriam subir aos céus como ofertas agradáveis ao Senhor, mas são como Deus diz em Isaías 1:13 - Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene.
E assim seguem as instituições religiosas com aparência de igreja: nivelando-se por baixo para dar voz e vez para quem poderia (e deveria) estar servindo com excelência em outra coisa. A seara é grande, os trabalhadores são poucos e ainda colocam os semeadores para capinar e os capinadores para semear. E para manter convencidos os irmãos mal aproveitados que servem naquilo que não têm talento, chamam de trigo excelente os pratos de joio servidos na igreja e no altar.

