segunda-feira, 14 de agosto de 2023

O BRIEFING DE MOISÉS LEVOU A UMA FÉ MOVIDA PELAS EMOÇÕES


Em Números 14:40-45 - Os hebreus, movidos de grande remorso por causa do seu pecado, foram lutar contra os Amalequitas e Cananeus e foram derrotados.

Primeiramente vamos contextualizar esse momento.

Os hebreus, depois de vagarem pelo deserto em busca da terra prometida, finalmente encontram-se nos limites de Canaã, na terra que Deus prometeu aos seus antepassados.

Em Números 13:2 Deus dá ordem a Moisés para que envie homens a fim de espiar a terra de Canaã. E para garantir que cada tribo pudesse testemunhar o cumprimento dessa promessa, orientou Moisés que enviasse um membro de cada tribo, mas não qualquer pessoa e sim um príncipe. Um líder cuja palavra teria respaldo perante seus liderados quando lhes falasse da terra.

Embora a Bíblia não diga diretamente que Moisés desobedeceu a Deus quando orientou os príncipes sobre como deveriam espiar a terra prometida, cabe aqui uma reflexão. Deus mandou que eles fossem olhar a terra, mas Moisés falou aos príncipes-espias nos versículos 18 e 19 que trouxessem a informação se eram fortes ou fracos, se eram muitos ou poucos e se as cidades em que viviam eram arraiais ou fortificações.

Se a terra estava prometida, qual a relevância dessas informações extras? Fortes ou fracos, muitos ou poucos, vivendo em fortes ou arraiais, Deus lhes prometeu aquela terra. Por isso eu creio que Moisés incluiu essa parte no briefing do Senhor por conta própria.

E isso não tinha a ver com boas intenções. Além já ter testemunhado por muitos anos que as instruções de Deus devem ser seguidas à risca, Moisés gozava de suficiente intimidade com o Senhor para saber que estava cometendo um erro ao acrescentar tais instruções aos príncipes.

E não deu outra!

Embora estivessem trazendo figos, romãs e um cacho de uvas carregado por duas pessoas numa vara, os demais versículos do capítulo 13 até os quatro primeiros versículos do capítulo seguinte são expressões de incredulidade e revolta sobre a hipótese de que teriam atravessado o deserto à toa.

A revolta era tanta que mesmo após Josué e Calebe rasgarem suas vestes, indignados com a incredulidade do povo, a congregação intencionava apedrejar Moisés e Arão e constituir um novo líder que os conduzisse de volta ao Egito.

É nessa hora, no versículo 10 do capítulo 14, que a glória do Senhor aparece na tenda da congregação à vista de todos os filhos de Israel, seguida de todas as consequências que Deus traria ao povo. E olha que Moisés ainda intercedeu sabiamente por eles para que não fossem rejeitados e mortos. Mas ainda  que não tivessem sido mortos por Deus, aqueles homens não mais habitariam a terra prometida, mas somente os seus descendentes.

Essa ato de rebeldia, murmuração e desprezo tem como consequência a permanência por 40 anos naquele lugar, indicando que, ao contrário do entendimento de muitos cristãos, esses anos foram consumidos na fronteira com Canaã e não percorrendo o deserto. Mas isso é assunto para outra postagem.

O que quero tratar aqui é o perigo do remorso e o agir por impulso, guiado por emoções em vez da fé no Senhor e do Evangelho.

Como Deus lhes disse que não veriam a terra prometida por causa das suas transgressões, o povo ficou muito triste e tentou compensar o mal que haviam feito.

Levantaram-se na manhã seguinte e foram guerrear com os Amalequitas e Cananeus e foram derrotados, apesar dos avisos de Moisés de que Deus não estaria com eles naquele confronto.

E talvez esse seja um grande engano que permanece até hoje no coração do homem. Deus é amor, não é pena. A expectativa dos homens que foram guerrear é que Deus ficaria sensibilizado com aquele gesto de "bravura" e os daria a vitória. O que os moveu em direção à batalha não foi a fé, mas o remorso.

Leia a Bíblia.

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