segunda-feira, 21 de abril de 2025

LEGENDÁRIOS DA HERESIA



“O sacrifício que agrada a Deus é um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.”

— Salmo 51:17

Vivemos dias em que o brilho do palco parece mais atraente do que a luz das Escrituras. Em vez de púlpitos, temos palcos. Em vez de pregadores, performers. E, infelizmente, em vez de transformação pelo evangelho, vemos uma geração cativada pela estética da fé, mas não pela essência dela.

Recentemente, deparei-me com uma iniciativa chamada "Legendários" — um projeto que se apresenta como um movimento masculino cristão, mas cuja abordagem e conteúdo levantam sérias preocupações. Não me refiro aqui ao zelo de quem busca alcançar homens para Cristo, o que é louvável. Minha crítica se dirige à superficialidade e à distorção da mensagem bíblica em nome de um espetáculo que tenta vestir-se de espiritualidade.

Onde está o quebrantamento?

A Bíblia é clara: o que Deus busca é um espírito quebrantado, um coração rendido, consciente de sua miséria e carência da graça. Mas o que vemos nesses movimentos performáticos é o oposto: ostentação de força, estéticas inspiradas em filmes de ação e discursos recheados de frases de efeito, mas pobres em conteúdo bíblico.

No título do curtíssimo parágrafo que nada explica o que são, diz: "O QUE É OS LEGENDÁRIOS?" Um erro gramatical pequeno, sim, mas revelador. A falta de cuidado com a forma reflete, muitas vezes, a falta de profundidade no conteúdo. Trata-se mais de causar impacto visual e emocional do que de ensinar a verdade da cruz.

No parágrafo que fracassa em explicar "O QUE É OS LEGENDÁRIOS?", há outro erro de concordância trecho que diz: "Devolvemos o herói a cada família...". Não seria "Devolvemos um herói a cada família..."?

Teatralidade não é arrependimento

Não é com frases motivacionais, camisetas pretas e semblantes carregados de raiva que se edifica o caráter de Cristo em alguém. O evangelho nos chama à humildade, não à encenação da masculinidade. Ser homem segundo Deus não é rugir no palco, mas calar-se em oração, reconhecer o pecado e andar em justiça, fé e amor.

Infelizmente, o que se promove é um evangelho emocionalmente inflamado, mas teologicamente anêmico.

A idolatria do estilo

Não podemos confundir evangelismo com entretenimento. Quando a estética se torna mais importante que a doutrina, corremos o risco de formar fãs — não discípulos. Criamos eventos que empolgam, mas não edificam. Chamamos multidões, mas não promovemos arrependimento. A pergunta que fica é: a quem estamos atraindo e com o quê?

O chamado à sobriedade

Não escrevo estas palavras por amargura, mas por zelo. Zelo pela verdade. Zelo pelos jovens homens que precisam de direção verdadeira — não de caricaturas. Precisamos de ministérios que voltem ao evangelho simples e profundo de Cristo, que ensinem o arrependimento, a graça, a santificação, o serviço, o temor do Senhor.

O mundo já está cheio de espetáculos. O que ele precisa é de cristãos autênticos.

“Pois virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos.”

— 2 Timóteo 4:3

Se você também percebe esse desvio da centralidade de Cristo, convido-o a refletir, orar e, acima de tudo, voltar à Escritura. Que nossas igrejas voltem a ser lugares de quebrantamento, não de performance. Que nossos púlpitos voltem a ecoar a cruz, não slogans.

Leia a Bíblia.

segunda-feira, 3 de março de 2025

AINDA TE FALTAVA ESSA INFORMAÇÃO?


Durante uma entrevista do carnavalesco Milton Cunha na tv globo, ele comentou sobre os aspectos sobrenaturais do carnaval e como há uma real intenção dos carnavalescos de que os espíritos dos mortos tenham influência sobre a apresentação da escola de samba. Ele também ressalta de que o batuque é algo que faz parte do que ele chamou de macumba.

Pode ser que ele tenha feito isso como uma jogada de marketing. E se essa foi a intenção do paraense, ele acertou em cheio. Os canais autodenominados evangélicos no YouTube aproveitaram o hype e produziram horas e horas de comentários sobre as palavras do carnavalesco.

Isso me lembra muito os versículos de 17 a 21 do décimo capítulo do livro de Lucas, em que os discípulos voltam alegres dizendo para Jesus que até os demônios se sujeitam a eles. A resposta de Jesus é:

Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago. Eu lhes dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; nada lhes fará dano. Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus

Essa resposta de Jesus deixa claro que a sujeição dos espíritos imundos ao Seu poder é algo esperado e até corriqueiro no Reino de Deus e que o mais importante não é a sujeição desses espíritos malignos, mas o fato dos nossos nomes estarem escritos nos céus.

É claro que esse tipo de React é muito útil para as pessoas que acham que o carnaval pode ser conciliado de alguma forma com uma vida cristã. Serve como uma forte argumentação para as pessoas que acham que o carnaval é apenas uma inocente festa popular de alegria e descontração que serve para extravasar as tensões da vida adulta vivendo alguns dias de fantasia.

Essa visão materialista e hedonista do carnaval não deveria convencer nem os mais jovens da igreja, quanto mais os adultos. Acreditar nisso é ter uma visão bastante ingênua do carnaval e das consequências espirituais dessa festa.

Mas não esqueça que esse vídeo pode te sido postado justamente com essa intenção - ser compartilhado e comentado e até curtido pelos evangélicos. Os canais nas redes sociais que mostraram esse trecho da entrevista do carnavalesco também prestaram esse desserviço.

Mas ainda bem que é algo efêmero, como tudo que se posta nas redes sociais. E em questão de horas esse vídeo será esquecido e outras artimanhas serão lançadas para usar a nossa indignação como ferramenta de propagação do que não presta.

Leia a Bíblia.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

MAIS TOLOS QUE BOIS E JUMENTOS


O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, a manjedoura do seu dono, mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende. (Isaías 1:3)

A FÉ MORTINHA DA SILVA

Nada como um bom hedonismo para matar a fé do próximo, não é mesmo?

Neste mundo moribundo que agoniza seus últimos séculos, nunca se falou tanto na busca incondicional pelo prazer quanto nas últimas décadas. E a loucura só cresce.

A QUEM O MUNDO DÁ OUVIDOS?

A régua do sucesso, que antes media a solidez de uma carreira ou o talento profissional, hoje depende muito mais do número de seguidores nas redes socias do que de qualquer outra coisa.

E seguindo essa onda que confunde fama com sucesso, pessoas com muitas toneladas de seguidores e poucos gramas de bom senso e de caráter estão "dando as cartas" da ética e da moralidade nas redes sociais.

Se isso fosse algo exclusivo do ambiente não protestante, não haveria "nada de novo no front". O problema é quando essas opiniões distorcidas chegam aos ouvidos de protestantes cujos corações ainda está cheios de paixões humanas.

Não há problema nenhum em admirar um cantor, um matemático, um ator, um dançarino, um filósofo, um culinarista, um historiador ou qualquer outra forma de expressão ou conhecimento humano. É até recomendável que você se inspire nos talentos de outras pessoas para aprimorar o seu. O problema é quando essa pessoa talentosa começa a opinar sobre questões que fogem daquilo que é o seu talento. 

RAYSSA LEAL E WHINDERSSON NUNES

Imagine, por exemplo, se a talentosíssima skatista Rayssa Leal, de 17 anos fizesse algumas postagens nas redes sociais dela sobre questões como criação de filhos, política e sobre saúde alimentar. É claro que ninguém, em sã consciência consideraria como válidas as opiniões de uma criança de 17 anos sobre assuntos que ela pouco domina.

Um outro exemplo é o Whindersson Nunes: um bom menino, mas um jovem com o coração machucado por aproveitadores que passaram (e talvez ainda estejam passando) por sua vida, com os mais diversos interesses. Lembro dele fazendo propaganda da Oi. É sério mesmo que um comediante é capaz de me convencer sobre qual a melhor alternativa quando o assunto é telefonia móvel, internet e serviço de TV a cabo? 

Mesmo que ele não estivesse sendo pago e estivesse falando sobre sua experiência pessoal positiva com a Oi, isso não seria suficiente para a minha tomada de decisão, quanto mais uma "publi" - legítima como fonte de renda para ele, mas sem efeito para mim, já que ele não detém o conhecimento e a competência necessárias para opinar nesse assunto.

O problema é que isso acontece o tempo todo com outras celebridades. Pessoas com pouca ou nenhuma formação ou competência técnica para tratar de determinados assuntos usam as redes sociais para influenciar pessoas nos mais diversos comportamentos e consumos.

E VOCÊ, CRENTE. A QUEM TEM DADO OUVIDOS?

E no meio dos influenciáveis há cristãos cujas mentes estão divididas entre a inerrante Palavra de Deus e a errantíssima trajetória de pessoas com os mais diversos vícios e falhas de caráter.

Portanto é extraordinário saber que a visão do profeta Isaías não se referia apenas aos homens daquele tempo, mas a um atributo do homem, a uma tendência inerente de perder rapidamente o foco naquilo que é importante.

Viva em paz com o seu tempo, admire as pessoas e seus talentos, mas mantenha os seus ouvidos atentos ao Senhor e Sua Palavra. O "Ide" a que Jesus se refere em Marcos 16:15, significa que o nosso papel é sermos os maiores influenciadores deste mundo.

Leia a Bíblia.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

AVAREZA E PERSEGUIÇÃO - AS ARMAS DO DIABO

Recentemente eu fiz um comentário no Instagram na postagem de um crente muito instruído e com o dom da palavra. Ele fazia o react do post de uma moça que colocava na ponta do lápis o custo da sua prática religiosa na macumba. 

O valor chegava a quinhentos reais mensais.

E na postagem, o crente ponderava que a média das ofertas nas igrejas protestantes giram em torno dos 70 reais. No entanto são justamente as igrejas protestantes as mais atacadas quando os dízimos e ofertas, ainda um tabu para muitos frequentadores de igrejas protestantes, são mencionados dentro da igreja.

Os dízimos e ofertas são uma oportunidade de cooperar com a obra de Deus. Deveria apenas ser mais um momento de alegria e empolgação por poder participar de algo tão importante quanto alcançar vidas que passam por algum tipo de tragédia - seja material ou espiritual.

No entanto, esse assunto vira pauta de jornais e postagens nas redes sociais falando dos mercadores da fé que usam esse recurso para viverem como reis, aproveitando-se da fé e da obediência dos irmãos para enriquecer de forma fraudulenta, lançando campanhas atrás de campanhas para extorquir o dinheiro das pessoas com promessas falsas que não encontram respaldo no Evangelho, só na ganância dos ladrões por trás de falsos púlpitos.

Se você sair da sua casa para entregar comida, vestuário ou artigos de higiene, certamente você vai gastar com transporte e embalagens. No mínimo.

Com as igrejas protestantes não é diferente. Os custos também existem e precisam ser geridos de uma forma meticulosa. Afinal trata-se de um recurso que foi confiado a uma igreja para a obra de Deus. E isso é muito mais sério do que os recursos de uma empresa, por exemplo, cuja gestão fraudulenta não tem repercussões eternas. No máximo, uma temporada na prisão.

Mas o mais curioso foi o seguinte:

Respondendo a minha postagem, um rapaz disse o seguinte: "ninguém persegue vcs, meu querido. Ninguém, absolutamente ninguém!"

Essa é uma afirmação de uma pessoa que não sabe nada sobre os cristãos verdadeiros e sobre o que se passa no Brasil e no mundo.

São relatos de pessoas açoitadas, mortas, torturadas, violentadas, presas ou mutiladas que não aparecem nos jornais. São missionários que são extraditados, outros que trabalham clandestinamente, que nunca pregam no mesmo lugar duas vezes, que vivem em um país estrangeiro escondidos das autoridades locais como bandidos simplesmente por amor à obra do Senhor.

Essa, portanto é a faceta mais escancarada da verdadeira religião cristã. Não falo das religiões que usam o nome santo de Jesus para justificar suas heresias - não. Falo das igrejas que, pela pura graça de Deus, conseguem fazer um trabalho extraordinário com recursos limitadíssimos.

Igrejas que, se não fosse pelos muitos milagres de Deus em multiplicar o dinheiro e a levantar benfeitores e colaboradores e todo tipo de ajuda extra, desde um barqueiro que decidiu não cobrar a travessia de um rio, até um grande empresário que foi usado por Deus para custear a passagem de uma família inteira que seria morta se não viesse imediatamente para o Brasil, onde a intolerância aos crentes pelo menos é velada.

Eu, pela graça de Deus, sirvo numa igreja verdadeira, que como toda igreja tem suas lutas internas e limitações, mas que prega um evangelho verdadeiro e é missionária de verdade.

Peço ao meu Senhor, o Deus da Bíblia que sustente a minha igreja no Seu caminho e me permita servir a Deus cada vez mais por meio dessa igreja onde até a palavra dura tem o doce sabor de salvação.

Louvado seja o nome do Senhor.

sábado, 2 de novembro de 2024

O PERIGO DO CRENTE MÍSTICO





















Se você é membro de alguma comunidade cristã certamente você já se deparou com um tipo muito peculiar de irmão. Não é preciso conversar com ele mais do que dois minutos para ouvir algo que, segundo ele, vem direto do trono de Deus. Se você for solteiro então, aí é certeza você ouvir o seguinte: o Senhor está preparando alguém especial para você. Mesmo que você ainda não trabalhe ou simplesmente não esteja pronto para assumir um compromisso com ninguém durante um tempo, não importa. Essa profecia é tão certa de ser ouvida quanto o tal de - a todos nós - quando abençoamos ou desejamos um bom dia para alguém.

Veja, Deus é soberano até mesmo sobre o conceito da existência, visto que Ele é o Senhor, o único Deus que sempre existiu e existirá eternamente. Portanto, não estou dizendo que Deus não pode colocar um cônjuge bacana em seu futuro ou usar qualquer ser vivo ou objeto inanimado para nos dar direção em nossas vidas se essa for a vontade Dele. Não é esse o problema.

O problema é que existe o inimigo das nossas almas cujas estratégias são amplamente divulgadas na Bíblia para quem quiser saber e se precaver. Uma dessas estratégias é torcer a Verdade conforme o pecado que ele quer te convencer que é Bíblico, que é a vontade de Deus para a sua vida. E pior, que você deve esperar, e até orar, por essa tal promessa.

De forma inconsciente, por mais preguiça do que ingenuidade, juntam-se a esses perversos malfeitores esses inocentes úteis que vivem uma espiritualidade cuja fonte são seus próprios desejos e vontades. Tal como aquelas beatas caricatas das telenovelas que passa sermão no padre e têm no bolso do vestido a chave da igreja, esse tipo de crente vive guiado por um "Deus falou comigo" ou a versão "Deus me deu uma direção" que nem o pastor da sua igreja consegue demovê-lo de que aquilo é tudo, menos direção de Deus.

Nossa obrigação, como para qualquer irmão em tribulação, é orar por eles, para que descubram antes que seja tarde que, tal como no glossário, a comunhão precede a intimidade. Como é possível ter intimidade com Deus se mal falo com Ele, se não abro a minha Bíblia, se não oro ou medito sobre a Sua Palavra?

Como é possível ouvir a suave brisa da voz de Deus quando a mente está cheia do vozerio da própria vontade? Como ser pastoreado pelo bom Pastor se eu não ouço a Sua voz, se estou longe do aprisco comendo uma relva seca e amarelada só porque estou orgulhoso de mim mesmo de ter achado aquela touceira de mato seco?

Esse tipo de irmão é capaz de grandes estragos na grande comissão. Fascinado com a ideia de ter gente para ouvir as falsas profecias nascidas do que ele não entendeu ou do pouco ou quase nada do que leu do Evangelho, as suas loucuras se multiplicarão e sua imaginação criará asas.

Mesmo não fazendo parte da minha infância ou adolescência, mas dos meus sobrinhos, o Megazord dos Power Rangers é uma boa analogia do que esse tipo de crente pode se tornar no futuro.

Acesse o YouTube e escreva a palavra heresia na barra de pesquisa e você será apresentado a uma lista de trechos de cerimônias malucas alegadamente cristãs. Muitas delas comandadas por pessoas que um dia já foram esse tipo de irmão dentro da igreja. Até o dia que se revolta, diz que o pastor perdeu a unção e abre a sua própria congregação para pregar suas heresias sem ser admoestado.

Portanto, cuide, ame e ore pelo seu irmãozinho místico. De forma generosa e pacífica e sempre que for possível, peça para ele te mostrar na Bíblia aquilo que ele te "profetizou" e ajude-o em sua caminhada. Não zombe, não brigue e nem seja o santarrão a amarrar e invocar o santíssimo e precioso sangue de Jesus por causa de uma tolice que você ouviu. Senão já sabe, né?

Leia a Bíblia.

terça-feira, 30 de julho de 2024

DEFENSORES ESCANDALIZADOS

No dia em que escrevo esta postagem, Paris está sediando as Olimpíadas de 2024. Embora a Carta Olímpica defina em seu artigo 50, parágrafo 3 que "Não é permitida em qualquer instalação Olímpica qualquer forma de manifestação ou de propaganda política, religiosa ou racial.", durante a abertura dos jogos, uma performance chamou a atenção do público e elevou a temperatura das discussões nas redes sociais.

Le Festin des Dieux ou Santa Ceia?

Após a repercussão negativa da performance, onde a ativista, DJ e produtora Barbara Butch, um ícone LGBTQ+, flanqueada por drags e bailarinos faz uma alusão à pintura "A Última Ceia" de Leonardo Da Vinci, os organizadores dos Jogos Olímpicos de Paris pediram desculpas no domingo, 28 de julho do mesmo ano, para quem se sentiu ofendido.

Enquanto o diretor artístico da cerimônia Thomas Jolly diz que sua intenção era "celebrar a diversidade e prestar homenagem à festa e à gastronomia francesa." alguns portais de notícias sacaram suas peneiras para tapar o escaldante sol da gafe, alegando que a performance teria sido inspirada em outra pintura intitulada Le Festin des Dieux do artista plástico holandês Jan Van Bijlert.

A frágil sustentação dessa última desculpa é que os participantes da performance estão dispostos lado a lado, atrás de uma mesa branca e há uma figura central cuja cabeça está ornada com um resplendor, objeto utilizado nas artes plásticas para representar santos, referindo-se à pureza do seu caráter.

Mesmo sabendo que a racionalidade, uma das características principais do movimento Renascentista, impediu que Jesus Cristo fosse retratado com um halo sobre sua cabeça na pintura de Leonardo da Vinci, a história da arte é repleta de representações de auréolas ou glórias dos mais diversos formatos nas cabeças de homens santos.

O HALO PROPOSITAL

A auréola ou halo sobre a cabeça de Jesus representando seu Logos foi algo incorporado à arte paleocristã por um curto espaço de tempo. Como a arte sacra era definida pela igreja católica, essa representação foi retirada. No entendimento dos clérigos da época o Logos de Cristo era algo que já estava com Ele desde o Seu nascimento e não recebido pelo batismo de João como os santos católicos. Portanto não seria correto representá-lo nas artes.

Sabendo ou não desse detalhe sacro-artístico, os organizadores não deixariam de colocar o adereço sobre a cabeça da ativista. Afinal, a ideia era fazer o público entender a referência.

FOGO NO PARQUINHO?

2 Timóteo 3:1-4 - Lembre-se disto: nos últimos dias haverá tempos difíceis. As pessoas serão egoístas, amantes do dinheiro, orgulhosas e arrogantes. Elas falarão mal de Deus, desobedecerão aos pais, serão ingratas e não se incomodarão com as coisas de Deus. Elas não terão amor pelos outros, não perdoarão a ninguém, serão caluniadoras, não terão domínio próprio, serão cruéis e inimigas do bem. Elas também serão traidoras, atrevidas, estarão cheias de orgulho e amarão mais os prazeres do que a Deus.

Qual o motivo do escândalo dos cristãos? Faz sentido se escandalizar com as heresias e escárnios dos ímpios? Espantado ao ver essas bizarrices? Enquanto seu coração se enche de furor e vingança, nosso Deus e Senhor está pronto para receber com alegria qualquer um daqueles que se arrepender dos seus pecados.

ENTÃO, QUAL O REAL PREJUÍZO DOS CRISTÃOS?

Tal como um fariseu do primeiro século, sua preocupação em defender símbolos cristãos até parece genuína e justificável, mas Deus não te nomeou guardião do Seu templo nem o vingador da Sua ira. O efeito anestésico do furor e a cegueira do ódio trará à sua mente pensamentos incompatíveis com o Deus que um dia você decidiu servir. E rapidamente você terá dentro do peito um coração conspirando contra você. Desejando castigos e até morte aos ofensores.

Mas veja o que relata Lucas no capítulo 9 do versículo 52 ao 54:

E mandou mensageiros adiante de si; e, indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos, para lhe prepararem pousada, mas não o receberam, porque o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalém. E os seus discípulos, Tiago e João, vendo isto, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez?

Cheios de um sentimento idêntico ao de muitos cristãos ofendidos com a abertura dos jogos olímpicos de Paris 2024. Os discípulos Tiago e João ouviram de Jesus a seguinte frase: Vós não sabeis de que espírito sois.

Sendo assim, não participe dessa mesa cheia de ira. Busque ao Senhor e invista seu tempo naquilo que realmente importa: pregar o evangelho aos pobres, cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar a liberdade aos cativos, a libertação das trevas aos prisioneiros, proclamar o ano da bondade do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus. Consolar os que andam tristes, dar aos que choram em Sião uma bela coroa em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de pranto e um manto de louvor em vez de espírito deprimido.

terça-feira, 21 de maio de 2024

CAJADOS E VARAS QUE MATAM

Texto-chave: Hebreus 5:12-14

Embora a esta altura já devessem ser mestres, precisam de alguém que ensine a vocês novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda é criança e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal.

Longe de mim tentar te convencer de que eu não tive minhas fases de fragilidade. É claro que houve uma época que eu facilmente abandonaria a igreja por causa da primeira palavra dura dita por um líder da minha congregação. A questão não é essa.

A minha preocupação não é com o "crente em construção" - o sujeito que ainda fala e crê em muita bobagem, vive com a cabeça cheia de misticismo e de vez em quando ainda age como ímpio por causa dos seus pecados favoritos. Não! Esse está no processo de arrependimento e cura.

Para explicar melhor o que eu quero dizer, vou fazer uma analogia com a minha infância nas praias de São Luís.

As pocinhas e o mar

Eu sou natural de São Luís (sim, São Luís do Maranhão! Quando você diz que é natural do Rio de Janeiro eu não te pergunto se é Rio de Janeiro do Rio de Janeiro.), uma capital insular cujo lazer dominical de grande parte da população é ir à praia.

Com uma variação de maré que pode chegar aos sete metros, duas coisas podem ser observadas nas praias de São Luís:

  • em alguns trechos, a maré baixa pode transformar seu banho de mar numa caminhada de meio quilômetro; e
  • na vazante da maré, a correnteza das ondas cria pequenos lagos em certos pontos da praia, muito apreciados pelos pais de crianças pequenas.

Os ludovicenses chamam esses pequenos lagos de "pocinhas". Até bem pouco tempo era comum ver os pais ou responsáveis, sentados em suas cadeiras de praia ao lado dessas pocinhas enquanto seus filhos brincam na água do mar, represada até a próxima maré alta.

Ao mesmo tempo que cava essas pocinhas, a maré vazante também oferece o risco da correnteza, capaz de arrastar para o banzeiro até mesmo um adulto que não seja um hábil nadador. E isso realmente é muito perigoso.

Em resumo: adultos divertem-se nas ondas do mar e crianças nas pocinhas. Crianças no mar só se for na parte onde a onda já quebrou ou no colo dos pais com água até a cintura. Qualquer coisa além disso pode ser perigoso. Banzeiro, só para nadadores experientes.

Foto obtida no Portal R10 de 13/10/2020
Crente de pocinha no banzeiro

Embora o subtítulo acima seja autoexplicativo, preciso enfatizar que lugar de crente é servindo a Deus. Não interessa se é novo convertido, imaturo na fé ou se ainda tá cheio das "defuntices" do velho homem. Vá procurar servir a Deus da melhor maneira que puder.

O papel dos mais maduros na fé é o banzeiro: cuidar dos irmãos, ajudá-los na caminhada, acudi-los quando forem feridos, orientá-los a ler a Bíblia, orando junto e ajudando-os a "engrossar o couro", a compreender que a nossa comunhão não é baseada na emoção, mas na razão, no firme propósito da salvação do próximo. 

A minha preocupação é com o crente de pocinha sendo enviado ao banzeiro.

Sob essa definição de crente de pocinha há gente de todo tipo:

  • gente que conhece - e muito - a Bíblia, mas é pretensioso e cheio de orgulho;
  • gente que não se aprofunda na Bíblia, fazendo uma aliança com o comodismo e a mediocridade;
  • gente que se esquece que não está dentro de uma empresa e que o eixo norteador da igreja é o amor de Deus, o firme interesse na salvação do irmão; e
  • gente que vive um cristianismo aparente. Só é crente dentro da igreja, nas outras instâncias da vida continua com as mesmas velhas práticas de pecado.

Sob a definição de banzeiro: o discipulado em si, o cuidar de pessoas, o ensino da Palavra de Deus e o cuidado com os visitantes da igreja e com os novos convertidos.

É certo confiar discípulos a estes irmãos sob a alegação de que amadurecerão como discipuladores no servir a Deus?

Não devemos servir com excelência? Não devemos estar dispostos a sermos corrigidos em nossos erros para que não pequemos, morramos ou pior, matemos? A excelência não seria fazer o melhor possível com os recursos disponíveis? Se não está preparado, não está disponível! Como esses irmãos chegaram a assumir tais responsabilidades dentro da igreja ainda tão cheios de si?

Vara e cajado em mãos erradas

Como um prédio construído sobre tijolos de farinha, muitas igrejas fundam-se sobre o serviço de irmãos feridos, soberbos, mentirosos, ambiciosos, bajuladores, materialistas, hipócritas e preguiçosos.

O cajado - que deveria puxar a ovelha da beira do penhasco; e a vara - que manteria o rebanho no Caminho, coeso em Cristo. São usadas para espancar as ovelhas até a morte.

Em vez de serem levadas ao pasto verdejante, acabam num campo de espinhos e abrolhos. Em vez de  refrescarem-se nas águas tranquilas, perecem numa poça de sangue.

Sejam sal e luz também em suas igrejas. Debrucem-se sobre o Evangelho, aprendam do Senhor Jesus que é manso e humilde de coração.

Leiam a Bíblia.